sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Com salários de até R$ 4.500 e boas chances, programas de trainee abrem inscrições

A temporada de inscrições para os programas de trainees começa neste semestre, e muitos jovens recém-formados têm a chance de dar o pontapé inicial em seu plano de carreira. Grandes companhias do país, como AmBev, Unilever e Gafisa, contam com essa seleção para formar, mais à frente, seu quadro de funcionários do alto escalão.

"O programa de trainee é uma das principais portas de entrada da companhia. Cerca de 98% dos nossos níveis de liderança são oriundos de promoção interna", afirma Thiago Porto, gerente de Desenvolvimento de Gente da Ambev. Na Gafisa, cerca de 70% dos atuais coordenadores de obras, gerentes e diretores começaram suas carreiras como estagiários ou trainees.

De acordo com a Companhia de Talentos, que realiza parte dos processos de seleção em nome das companhias, apenas no segundo semestre serão abertas as inscrições para 26 programas, somando mais de 500 vagas no país.

"O programa de trainee é um caminho vantajoso, uma forma de iniciar a carreira sem ter experiência prévia. As companhias se prontificam a preparar o recém-formado para o negócio da empresa", diz Marcio Vinycius Pereira, consultor de recrutamento e seleção da Companhia de Talentos, do grupo DMRH.

A maioria dos programas treina os inscritos nas mais diversas áreas da companhia, conferindo ao profissional um conhecimento mais profundo sobre o negócio. Por conta disso, de acordo com Pereira, é comum que o trainee tenha uma vaga estratégica na empresa reservada mais à frente, "já que tem uma visão sistêmica da empresa."

Karime Xavier/Folhapress
O gerente de projetos da Gafisa, Eduardo Alves Rodrigues, que foi trainee da construtora há cinco anos
O gerente de projetos da Gafisa, Eduardo Rodrigues, 28 anos, participou do programa de trainee da construtora há cinco

O engenheiro Eduardo Rodrigues, 28, participou do programa da Gafisa há cinco anos. Terminado o treinamento, foi contratado como coordenador de vendas, se tornando gerente de projetos da construtora e incorporadora cerca de um ano depois.

Para ele, o programa acelerou bastante o processo de promoção dentro da empresa. "O trainee é uma boa oportunidade, primeiro pela formação que o programa proporciona, e também pela projeção que isso gera dentro da companhia", afirma. "Hoje, estou bem colocado no mercado. Da minha turma de faculdade, poucos têm hoje cargo de gerente."

DICAS

Mas, com tantos atrativos, esses programas costumam ser mais concorridos que as provas de vestibular no país. Em 2009, 128.144 inscritos disputaram 10.622 vagas no vestibular da USP (Universidade de São Paulo). Na Unilever, 48.500 pessoas disputaram apenas 28 vagas de trainee no ano passado. O salário para os aprovados neste ano é de R$ 4.500.

Na AmBev, o número de concorrentes chegou a 60.133, que resultou em apenas 26 contratados.

O superintendente do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), Eduardo de Oliveira, afirma que autenticidade é essencial na hora de participar de um processo de seleção como este. "Nada de querer fazer tipos ou inventar alguma coisa que não seja verdadeira", afirma.

Além disso, o candidato deve investir em sua formação e em atividades extracurriculares, como trabalho voluntário ou experiências no exterior. Tudo para garantir um diferencial frente a tantos concorrentes. "Autenticidade num processo desses é efetivamente o que vale. E boa formação, não só acadêmica mas também o conhecimento adquirido fora da sala de aula."

Pereira, da Companhia de Talentos, acrescenta que, além disso, um ingrediente comportamental importante para fazer a diferença é humildade. "Pode parecer chavão, mas, se você pensar bem, o cargo exige isso. Para fazer 'job rotation' [trabalhar em diversas áreas da empresa], respeitar os profissionais que já estão lá dentro. É importante saber que você terá de galgar degraus até atingir seus objetivos."

Veja as empresas que estão recebendo inscrições para os programas de trainee:

ESTÁGIOS

Para aqueles que ainda não se formaram mas têm interesse em começar a trabalhar na área ou empresa de interesse, os programas de estágio são uma boa oportunidade. "O estágio e o trainee são ambos portas de entrada no mercado de trabalho, mas cada processo de seleção tem seu nível de dificuldade", afirma Pereira.

Veja algumas empresas que também oferecem programas de estágio:

Empresas buscam profissionais que dominem mídias sociais

Ficar de olho em Twitter, Orkut, Facebook, LinkedIn e blogs deixou de ser um passatempo e virou profissão.

Empresas buscam profissionais que dominem mídias sociais para divulgar serviços e se aproximar de clientes. Para os iniciantes, os salários variam de R$ 1.000 a R$ 3.000, mas os experientes ganham até R$ 10 mil.

"A penetração das redes sociais nas empresas aumenta ano a ano", aponta Leandro Kenski, CEO (executivo-chefe) da agência de mídia social Media Factory.

Silvia Zamboni/Folhapress
Rafael Matos, que atua como analista de redes sociais, diz que precisa ter jogo de cintura para atender a demandas
Rafael Matos, que atua como analista de redes sociais, diz que precisa ter jogo de cintura para atender a demandas

Segundo pesquisa da Deloitte feita com 302 empresas brasileiras em fevereiro deste ano, 70% delas fazem monitoramento on-line e 55% recorreram a um profissional para cuidar do setor.

Rafael Matos, 27, analista de redes sociais da imobiliária Lopes, monitora perfis em redes sociais e diz que precisa de jogo de cintura para atender a todas as demandas. Ele conta que lidar com reclamações contra a empresa também é sua tarefa.

BOA LARGADA

Para ser um analista de mídias sociais, é preciso ter habilidade na escrita, conhecimento de marketing e familiaridade com redes.

Esses profissionais, também conhecidos como SMO (Social Media Optimization, ou otimização de mídia social), devem ter perfil inovador, diz Deni Beloti, consultor da Fellipelli. "Dinamismo, criatividade e imediatismo fazem parte do perfil."

Para Cely Carmo, gerente de estratégia da Burson Marsteller, organizações esperam iniciativas arrojadas dos analistas. "É preciso criar relacionamento com seguidores e conhecer "a fundo" a marca que divulga", afirma.

Na Ideia S/A, agência de mídias sociais, a maioria dos analistas tem diploma de jornalismo ou publicidade.

"Há profissionais formados nas áreas mais diversas, como turismo", revela Daniela Habif, coordenadora de conteúdo digital da empresa.

Há dois anos, o publicitário Antônio Mafra, 29, foi contratado pela Porto Seguro. Ao perceber que a empresa não atuava em mídias sociais, sugeriu que a seguradora aderisse à novidade.

"Eu mesmo criei a minha função. Hoje esse é um dos principais canais de relacionamento com o cliente", diz.

Em contraponto, Mafra diz que os colegas ainda não entendem sua função. "Sou conhecido como o vagabundo da empresa", brinca.

O gerente de mídias sociais da Tecnisa, Roberto Aloureiro, 38, aponta outra preocupação: divulgar informações sobre a companhia.

"Penso dez vezes antes de publicar dados na rede. Meu trabalho é gerenciar crises, e não gerar uma", conta.

ADRIANA ABREU

CAROLINE PELEGRINO

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Pesquisa aponta que sobram vagas em todas as regiões do país


Sobram vagas e oportunidades de emprego em várias regiões do Brasil, principalmente para quem tem boa formação. É o principal resultado de pesquisa apresentada pela fundação Dom Cabral, especializada no desenvolvimento de executivos e negócios.

No Nordeste, se você sabe fabricar móveis, quer trabalhar em confecções, como operador de telemarketing ou agente de turismo esta é sua chance.

E os empregadores chegam a pagar os cursos de qualificação. O pernambucano Gilson Galdino era despachante. Como a empresa não conseguia contratar motoristas resolveu prepará-lo para a vaga.

"Foi uma sensação boa, a de ter sido promovido pela empresa", diz Galdino.

O tipo de emprego varia de uma região para outra. Mas estão sobrando vagas em todo o país. No Sudeste, por exemplo, o setor da construção civil é o que mais precisa de trabalhadores: de engenheiros a mestres de obra.

Nessa região do país, quem sabe projetar embalagens, está sendo caçado pelo mercado. Engenheiros, projetistas e desenhistas do setor automotivo também. Faltam ainda profissionais especializados para os setores de alimentação, siderurgia e metalurgia.

"Temos carência no mercado de formação de engenheiro, com foco em ferrovia, com foco em porto, com foco em projeto", revela o gerente geral de recursos humanos da Vale, Renato Ferreira da Silva.

Bons empregos no Centro-Oeste
As melhores oportunidades estão na região Centro-Oeste. O crescimento na área de agronegócios e serviços é enorme. E os salários são mais altos para atrair quem mora no Sul e no Sudeste. Precisa-se de médicos a vendedores de máquinas e equipamentos agrícolas, além de técnicos de manutenção.

Na região Norte, as vagas são para engenheiros ambientais. Mas se você entende de gado, milho e soja também pode encontrar um bom emprego no campo ou em frigoríficos.

O Sul é a região mais equilibrada em oferta e procura. Mas a demanda por pessoas que entendem de logística e transporte é grande. Também há vagas para engenheiros e técnicos que trabalhem com a produção de equipamentos e máquinas pesadas. Então, se você entende de fabricar carroceria de caminhão, não perca essa oportunidade.

Para os especialistas, sobram empregos. Mas falta no país um sistema eficiente que localize as pessoas qualificadas. “Se elas não têm um centro nacional de informações sobre mão de obra provavelmente vai usar suas relações pessoais ou ela vai, por ouvir falar, procurar o seu emprego, quando isso deveria ser feito de forma muito mais profissional como acontece, por exemplo, nos Estados Unidos e na Europa”, afirma Paulo Resende, pesquisador da fundação Dom Cabral.