segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mercado busca novo perfil profissional



Uma análise feita a partir de depoimentos e requisitos exigidos pelas empresas que, atualmente, recrutam profissionais no mercado de trabalho permitiu identificar a evolução no foco das buscas feitas pelas companhias. Essa é a conclusão apontada pelo Emprego Certo, site de vagas e currículos do UOL.

Segundo Luiz Pagnez, diretor do Emprego Certo, “as empresas não esperam mais que os profissionais possam ser classificados como generalistas ou especialistas. Na verdade, a atual dinâmica do mercado exige a convivência das duas características, para que cada uma seja utilizada quando necessário, ou até simultaneamente em situações mais extremas”. Ou seja, os profissionais mais modernos precisam ser especialistas em relação a uma determinada técnica ou área de negócio, mas, ao mesmo tempo, generalistas para conseguir explorar novas oportunidades em atividades que nem sempre dominam.

“Analisando as mais de 170 mil vagas que temos disponíveis no Emprego Certo, percebemos que a combinação dos dois perfis começa a ser vista como um diferencial para um bom candidato. Além disso, a atualização constante ou continuada, o domínio de línguas estrangeiras, ferramentas de informática e Internet, já passaram a ser pré-requisitos obrigatórios em muitas posições”, comenta o executivo.

Para Pagnez, os profissionais precisam estar atentos às necessidades do mercado, complementando sua formação e suas habilidades, evitando, assim, tornarem-se obsoletos por fatores como, por exemplo, uma novidade tecnológica ou a diminuição da demanda na sua área de atuação. “Profissionais de comunicação ilustram bem o novo dilema daqueles que buscam ingressar ou evoluir no mercado de trabalho.

Ser especialista em um determinado assunto ou segmento será um diferencial em seu portfólio, o que não aconteceria se ele apenas falasse superficialmente de tudo. Além disso, ainda precisa escapar da armadilha de tentar utilizar os diferentes meios de comunicação disponíveis, todos ao mesmo tempo. São tantas as informações, as técnicas e os canais, que se tornaria impossível atingir um patamar de excelência”, explica.

Outra conclusão da análise é que todo profissional, ao longo de sua carreira, terá de equilibrar sua atuação entre os perfis generalista e especialista. E quanto maior a posição hierárquica, mais evidente a necessidade deste equilíbrio. “O chefe precisará ser especialista na sua área, mas, em paralelo também ser geralista o suficiente para administrar as diferentes competências e especialidades do seu time”, finaliza o diretor.

Fonte: Mercado busca novo perfil profissional

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Qualificação: O que é isto?


Oito executivos de áreas diferentes dizem o que um profissional precisa saber para ser contratado hoje

Fabiana Corrêa


É comum ouvir no mercado que falta gente qualificada para preencher as vagas abertas nas empresas. “Quando se fala de profissionais realmente bons, com experiência, capacidade de liderança, as ofertas são poucas”, diz Renata Lindquist, da consultoria de busca de executivos Mariaca, com sede em São Paulo, confirmando uma percepção que assombra as companhias que têm plano de expansão. Alguns requisitos básicos, como falar inglês fluentemente, ter cursado uma faculdade de renome e mostrar experiência na área em que se deseja atuar abrem portas, mas não são imprescindíveis em todos os mercados.

Na verdade, o currículo essencial muda de acordo com a empresa. “As companhias vão precisar de gente ambiciosa, com visão interdisciplinar, que dialogue com outras áreas além da sua, pensando na organização como um todo”, diz Gilvan Delft, diretor da consultoria de busca de profissionais Page Personnel, com escritório
em São Paulo. Como as principais operações das organizações em expansão continuam sendo as internacionalizações, fusões e aquisições, é importante lidar e ter experiência com diversidade cultural.

As características pessoais - e a prova de que um profissional usou o que sabe a seu favor para conseguir sucesso —, portanto, são mais importantes do que formação impecável, principalmente quando se trata de gente com alguns anos de experiência. “Comprometimento e flexibilidade, por exemplo, são habilidades que não se coloca em currículo, mas que avaliamos durante as entrevistas”, diz Gisleine Camargo, gerente da KPMG, consultoria de gestão de São Paulo.

ENTREVISTAMOS EXECUTIVOS DE EMPRESAS DE TAMANHOS E MERCADOS DIVERSOS E FIZEMOS A ELES A MESMA PERGUNTA: “O QUE UM PROFISSIONAL PRECISA PARA SER CONSIDERADO QUALIFICADO?”. ELES RESPONDEM AQUI , DE ACORDO COM O QUE É ESSENCIAL EM SUAS ÁREAS, O QUE VALORIZAM AO FAZER UMA CONTRATAÇÃO.

PAULO BASÍLIO - Diretor superintendente da ALL, companhia de logística, do Paraná
“Formação boa é valorizada, mas não mais que atitude e vontade de crescer rapidamente. Esse é o perfil que buscamos. Costumo perguntar pelas decisões que um profissional tomou na vida, vejo se ele arriscou, se aceitou fazer algo diferente no trabalho ou em outras áreas que demonstrem sua ousadia.”

LUÍS DELFIM - Presidente da Guararapes, representante da Coca-Cola, de Pernambuco
“Não esperamos que um profissional esteja pronto, pois investimos em formação. Mas ele tem de mostrar que se atualiza em relação ao mercado e ao mundo. Se está na área comercial, o que tem feito para vender mais? Ele está a par das novas tecnologias? Como faz para prever tendências? Valorizo qualidade nos resultados, mais do que quantidade.”

GUSTAVO DIAMENT - Vice-presidente de marketing da empresa de telefonia Nextel, de São Paulo
“Tem de ser inconformado com o que há na empresa e mostrar resultados que demonstrem que saiu do lugar-comum. Também é importante construir relações colaborativas em todos os níveis da corporação para resolver os problemas. Inglês é essencial, experiência é importante. Mas competências técnicas podem ser aprendidas.”

RODRIGO CASERTA -Vice-presidente de estratégia de mercado da Totvs, empresa de TI, de São Paulo
“Precisamos de gente que traga ideias ousadas. Alguns cargos pedem conhecimento técnico, mas é mais importante a capacidade de liderança, mesmo que seja sobre pessoas de outras equipes: nossos resultados são medidos pelo desempenho de outras áreas. Quem cursou MBA nos Estados Unidos ou Europa ganha pontos — demonstra que se preparou e foi dedicado.”

DELI MATSUO- Vice-presidente de recursos humanos do Google, de São Paulo
“Queremos gente que se destacou ao longo da vida, que se esforçou para estar entre os melhores na escola, no time, na comunidade ou numa ONG. Tem de ter relevância em alguma área. É uma atitude, mais do que formação ou experiência.”

SANTUZA BICALHO - Vice-presidente do Student Travel Bureau, empresa de intercâmbio, de São Paulo
“Queremos gente para o varejo, e por isso é bom ter visão generalista e formação idem, como administração ou comunicação. Pode incluir uma pós-graduação. Quem estudou ou trabalhou no exterior conhece outras culturas, o que importa em nosso negócio. Inglês tem de ser fluente.”

GUSTAVO CHICARINO - Diretor de estratégia da rede Accor, de hotelaria e serviços, de São Paulo
“Fico atento ao comportamento. Estudar fora do país é importante, pois amplia os horizontes, mas ganha relevância se a pessoa fez isso por si mesma, se preparou financeiramente, foi organizada. Saber ouvir e trazer informação nova também é essencial, embora não esteja no currículo.”

LUIZ GALHARDI -Diretor de cadeia de suprimentos da Dow, da área química, de São Paulo
“Tem de ter iniciativa, experiência de trabalho em equipe e saber inovar. Isso aparece na maneira como ele conta seus resultados. Quando alguém fala que cortou custos, quero saber quais os benefícios para o meio ambiente. Escolhemos gente das melhores faculdades e que fale bem inglês.”